
Juntaram-se ao grupo a Patrícia, o avô Joaquim e a avó Rosina e lá fomos, estrada abaixo, no meio de um sol radioso de Primavera, que parecia feito de encomenda para nós. Após uma paragem nas bombas para tomar um cafezinho, depressa chegámos ao nosso destino. A calma e a beleza do local logo foi profanada pela nossa presença e pela quantidade de equipamento trazido pelo Dionísio.

E ali estava tudo o que era preciso para fazer uma boa pescaria. Canas, bóias, chumbo, linhas, iscos, cadeiras, chapéus-de-sol e uma geleira com coisas boas e fresquinhas (sim porque nem só de peixe vive o Homem)
Aqui o avô Joaquim dizia à Fátima que só valia peixe deste tamanho!
Depois de tudo montado, lá começou a pesca, propriamente dita. O Dionísio e o avô Joaquim a sacar à bruta, enquanto eu, pouco versado nesta pesca sem sal, lá fazia os possíveis para os acompanhar. Então foi quando um acontecimento algo patético veio quebrar alguma monotonia instalada. E quem seria o personagem vítima desse acontecimento? – Perguntam vocês – É claro que me tocou a mim. Nem podia ser doutra maneira, e passo a explicar: - Nós estávamos a pescar com linha fina e anzóis pequenos, próprios para o tipo de peixe que pretendíamos apanhar. Pequenos peixes, tipo sardinha chamados abletes. Ora houve uma altura, que já farto de ter a cana na mão, ponho-a no chão, apoiada num ramo, à beira da água e vou ter com o Dionísio que se encontrava ao meu lado, um pouco afastado. De repente oiço o pessoal a gritar: - Eia! olha a cana! Vai-se embora! Olhei para o sítio onde a tinha deixado, e vejo-a abalar, água dentro já a desaparecer em direcção ao fundo. Mal tive tempo para perceber o que se estava a passar e já estava dentro de água, vestido e calçado, preocupado não em apanhar peixe, mas sim em apanhar a cana, arrastada por um carpa matulona que se tinha prendido no anzol. O que me valeu é que depois de deitar a mão à cana a linha partiu-se. E assim inaugurei a minha época balnear!Entretanto o Dionísio apanhou duas belas carpas, mas perante a súplica dos animais pela liberdade, lá as soltou de novo na água.
A barriga começava a dar sinais. Era hora do almoço.
Diz o Dionísio: - Ó pessoal, olhem aí pelas canas que vou buscar o almoço e já volto. E lá foi, com a avó Rosina á Tasca do Sr. Coelho. Voltou quase duas horas depois (Sabes onde estamos? – teria-lhe perguntado o Sr. Coelho – Vai demorar!)
Mas valeu bem o tempo de espera porque o petisco estava de trás d’orelha.
E foi debaixo desta sombra que retemperámos as forças para a segunda etapa do dia.
Acabado o repasto logo voltámos a pôr a minhoca de molho. Eu não tinha grande fé, mas a tarde viria a revelar-se ainda mais produtiva que a manhã. Parecia que os peixes tinham encostado todos, atraídos pelo cheirinho do choco frito, e o morticínio foi grande… Não havia mãos a medir. Mal caía na água os maganos jogavam-se logo ao anzol. E nós, numa grande trabalhêra de tirar o peixe, pôr o isco mais parecia uma cadeia de montagem.
E foi aí que eu me apercebi do aparecimento de um novo desporto, logo baptizado de “BasketFish” e da enorme falta de jeito que o Dionísio tem ao praticá-lo. Não sei se motivado pela alta cadência de tira-peixe-põe- minhoca que se fazia sentir, o que é certo é que ao tirar o peixe do anzol e mandá-lo para a rede que se encontrava na água, a um metro da cadeira onde se sentava, o nosso amigo Dionísio em cada quatro lançamentos falhava três, para grande alegria e gozo dos peixes que escapavam ao cesto (alguns foram mesmo pescados mais que uma vez, e quando se afastavam água dentro olhavam para trás com carinhas de gozo).
As meninas passearam e conversaram, tendo a Patrícia guiado a Fátima pelas redondezas que já conhecia doutras pescarias
E assim se passou o dia. Pescando, comendo, amigando. Enchendo o peito de ar puro, de sol e tranquilidade em terras de Além Tejo, neste começo de Primavera que se quer renovada, assim como a amizade. No final pesou-se a pescaria e apuraram-se 4 kilos e meio de abletes, fora as duas carpas que soltámos.
Por mim, é para repetir, quem sabe com outros pescadores que se queiram juntar!Obrigado à família Simões por este excelente dia!










