




É do conhecimento geral, a minha incapacidade de, perante uma encruzilhada, optar correctamente pelo caminho certo. Assumo o desnorteio com uma indisfarçada inveja daqueles amigos que, dotados de GPS ou de natural habilidade de pombo-correio tomam a dianteira trilhando, sem hesitar, o verdadeiro rumo.
Um desses amigos – talvez o único, embora não seja consensual, não achas, Charraz? – tem-nos valido algumas vezes em situações periclitantes de “onde é que esta porra vai dar?” quando nos deslocamos em viagem a locais que não conhecemos.
Talvez por ter um sistema GPS no seu automóvel, uma vozinha meiga de menina a quem ele baptizou de Helga. Talvez por ter uma grande experiência de estrada, o Za lá vai à frente da caravana, guiando-nos, como cão-de-cego, em direcção à luz.
Ora acontece, que ontem, fomos todos na tal caravana, atrás do Za rumo ao Restaurante A Baía, no Seixal onde tocava, pela primeira vez o Rogério Charraz.
Àquela hora era recomendável utilizarmos a ponte Vasco da Gama em detrimento da 25 de Abril por causa do trânsito caótico gerado por quem regressava a casa depois de um dia de trabalho.
Passámos a ponte. Tudo bem. Mas quando eu começo a ver nomes de localidades como: Moita, Alhos Vedros e Sarilhos Grandes, pensei: - Pronto estamos metidos em sarilhos!
Ele eram inversões de marcha, ele eram becos sem saída, caminhos de cabra, rotundas conhecidas… Enfim. A Helga passou-se! Como uma barata tonta, virava-mos à direita, à esquerda, e a viagem que demoraria, normalmente meia hora, demorou uma hora e meia. E foi grande o gozo do Charraz, da Isabel e do João quando finalmente chegámos ao Seixal. Adiante…
A Baía é um espaço despretensioso. Situado no traçado antigo da vila, uma casa de duas águas, rente ao chão, muito perto da baía, donde lhe vem a graça. Não se vêm dourados ou cromados. Mantém o forro do tecto em madeira antiga, pintado de cores suaves e quentes. Nas paredes, fotografias do local, antigas, motivos marítimos e a meia-altura um sucessivo traço ondulante a dividir o azul do branco a fazer lembrar as ondas do mar. A porta e os portados das janelas ainda, felizmente, em madeira, assim como os móveis de apoio, a respeitar o conjunto.
A ementa é variada, e daquilo que provámos, todos viemos satisfeitos. Eu falo do meu bacalhau assado em cama de grelos com batata a murro, que estava óptimo. Do polvo á Lagareiro, do caril de frango também. O vinho da casa (Alentejano) soube-me a pouco, porque tinha que me fazer à estrada. As sobremesas satisfazem os paladares mais exigentes.
A simpatia do Vitor Sarmento e da sua esposa Lurdes, para quem os conhece, é já um dado adquirido.
Um belo local para se fazer uma refeição. Calmo nos dias em que o Rogério Charraz e o seu grupo de desordeiros amigos lá não estiverem. Com música ao vivo de 4ª a Sábado.
Encerra Domingos à noite e às 2ª feiras.
Restaurante A Baía. Um nome a reter para quem gosta de ser bem recebido.
E, coisa estranha: O Za foi o primeiro a saír, mas não levou ninguem atras dele...