21 março 2011

Festival Islâmico de Mertola 2011



Encontro de culturas, o Festival islâmico celebra toda a herança histórica da vila e a sua forte influência islâmica. Realiza-se de 2 em 2 anos, para que a sua chegada seja mais desejada. Durante o mês de Maio, a vila revela-se fértil em cultura, animação e conhecimento. 
O ponto auge do Festival acontece nos 4 dias do souk. No mercado árabe improvisado nas ruas da vila velha coberta de panos: os cabedais, as djellabas, o incenso, o sândalo, o chá de menta, as especiarias e a mistura de vozes dão cores, aromas e melodias especiais ao quotidiano outrora pacato. Pela noite, no cais de Mértola e nos largos da vila há concertos de música que atraem curiosos ou entusiastas de ritmos exóticos. 
O Festival Islâmico de Mértola é um daqueles eventos imperdíveis que vai ter de apontar na sua agenda, a próxima edição já está marcada e vai acontecer de 19 a 22 de Maio! 


21 fevereiro 2011

Faz

Faz-te ao mar! Existem as tempestades... Que gritam ao teu passar Mentiras, fantasmas, verdades... Tudo o que a vida balança.
Faz-te ao mar da esperança!
Faz-te ao mar!
Existem as praias belas... Que pousam na rede do teu cantar Fogos, poemas, aguarelas... Tudo o que a vida deixa a nu.
Faz-te ao mar, que o teu futuro és tu!

Pedro Branco

06 janeiro 2011

Aos meus amigos


"Hão-de vir Dias Melhores"

afagando o ego
afogando a dor
se o amor é cego
pois tanto melhor
vem ó minha amada morder a maçã
canções tão confusas
fado vagabundo
piraram-se as musas
para o fim do mundo
mais uma rodada, vem longe a manhã
vou lamber as cicatrizes
da minha melancolia
hão-de vir horas felizes
nesta imensa lotaria
vou esquecer o quebranto
vou celebrar o espanto
vamos brindar aos amores
que hão-de vir dias melhores
vou mantendo a calma
esquecendo a crise
dispo a minha alma
num strip-tease
grotesco bailado na noite vadia
a mente recusa
o corpo deseja
canção tão difusa
num mar de cerveja
dou a nota ao lado, perco a melodia
dança, dança mafarrico
lá no fundo do meu copo
vou roubar a rima ao Chico
estou alegre "ma non troppo"
olh'ó sorriso da lua
já a manhã se insinua
vamos brindar aos amores
que hão-de vir dias melhores
roda o mundo inteiro
num passo de dança
fado viajeiro
que nunca se cansa
um cigarro aceso, um pranto de mar
regresso à rotina
chegou a manhã
talvez aspirina
talvez gurosan
mas sei que fiquei preso desse teu olhar
coração em zigue-zague
fui de Sodoma a Gomorra
obrigado, Deus te pague
tens tido tanta pachorra
que é sempre a mesma canção
do pecado à redenção
vamos brindar aos amores
que hão-de vir dias melhores

José Medeiros

07 dezembro 2010

Novo Trabalho de Zeca Medeiros


Fados, Fantasmas e Folias

Chega em Dezembro o novo disco de José Medeiros, ou Zeca Medeiros como é conhecido no meio artístico. «Fados, Fantasmas e Folias» é o nome do disco deste artista que tem sido também um importante embaixador dos Açores, de onde é natural, através da inclusão de ritmos tradicionais. Mas mais do que uma representação do arquipélago açoriano, este disco (que também é livro) de Zeca Medeiros é uma viagem pela história de cada um e pelas memórias comuns de todos os portugueses. Além de ser pontuado aqui e além de citações a diversas áreas artísticas que revelam a cultura que está impregnada de forma indelével ao artista. Realce-se a sua constante presença no teatro e no cinema e a aura de dramaticidade que envolve tanto a lírica como a forma de se expressar quando canta.

Embora não tenha uma discografia que se possa considerar extensa, há nela um apontamento de qualidade raríssimo na música portuguesa. Entre alguns prémios e bandas sonoras, Zeca Medeiros colaborou já com alguns dos mais importantes artistas do panorama musical português tais como a Brigada Victor Jara, Ala dos Namorados ou Dulce Pontes. E há mais colaborações neste «Fados, Fantasmas e Folias»: João Afonso, Mariana Abrunheiro, Filipa Pais e Rui Veloso são apenas alguns dos nomes que aliam a sua voz à de Zeca Medeiros neste seu novo disco.

Há uma particularidade neste lançamento que também não é de todo usual, o disco é também um livro repleto de letras de canções, ilustrações e fotografias. A viagem é também aí fixada.

Sobre a voz de Zeca Medeiros, escreve Urbano Bettencourt em jeito de prefácio a este livro-disco “a voz dramática de José Medeiros, dramática no sentido teatral do termo, de uma dicção que reflecte a própria experiência de representação do cantor e que alia ao timbre grave um intuito de fala para o outro, mesmo quando o actor se encontra sozinho na cena da canção, sem mais acompanhantes vocais”.

Seguir-se-á uma digressão de lançamento deste livro-disco e a presença nos espectáculos será, com certeza, uma inusitada viagem às páginas de «Fados, Fantasmas e Folias».



Ricardo Boléo, escritor e dramaturgo

(Retirado do FaceBook do autor)