
Tudo apontava para que aquele dia fosse um dia especial. Dos amigos, o encontro para uns, o reencontro para outros, o desvendar do “enigma” para todos.
O tempo, que apesar das previsões de chuva, se apresentou radiante. O espaço, amplo e sereno, convidativo ao relax que a cana de pesca proporciona. Os sabores do choco frito, intensos e reveladores de pecados escondidos.
Pois bem. Depois do que veio a acontecer nada disto mais importou. A chuva podia ter caído a cântaros, as águas rasas virarem
tsunamis, o vinho transformado em cicuta e o choco, ausente como se veio a verificar, ter desaparecido de todos os mares.
O assombro e o encantamento de que todos nós, os sete, cadela Bianca incluída, fomos vítimas impediam-nos os movimentos. Só os olhos pareciam não querer parar de mexer. Estarrecidos, prontos a saltar das órbitas. As bocas abertas repetiam
ahhhs! e
ohhhs! numa linguagem desconhecida mas que todos pareciam entender.
O espanto de tudo isto estava no facto de que, o astro Rei descera dos céus e pisava agora esta terra simples das
açordas. O Sol, transportado num carro de fogo era guiado, a pé, pela Lua no seu manto dourado onde estrelas brilhavam em pleno dia.
A marcha insólita aproximou-se do atónito grupo de pescadores. O Sol, imponente, limitou-se a brilhar com a sua cabeleira dourada. A Lua, mais faladora, entregou à Patrícia um pequeno saco que continha os nomes de cada um de nós, e nos falou daquela que será a nossa missão, ou a nossa sina, e que consiste em apoiar e suportar a carreira artística dos três músicos que formam o RC Trio.
E conforme chegaram, depressa partiram, indiferentes aos nossos pedidos para ficarem para o almoço.
Depois das fotos em família, o Sol deitou um olhar cúmplice à Lua lá foram pelo firmamento.
O resto, bem o resto do dia já pouco importou. Não se falou de mais nada a não ser desta insólita aparição.
O João Correia, que se estreava na pesca, dizia que era milagre pois apanhou 29 abletes e 3 carpas. O Dionísio não falhou um lançamento no “BasketFish”. Eu levei o caminho de casa todo a pensar, seriamente, que tenho que tirar um curso de astronomia.
O Altar perdera o seu Pego e transformara-se no altar de todos nós, no dia em que o Sol e a Lua apareceram aos três pescadorzinhos, revelando-lhes o irrevelável.
Viva a amizade. Viva a vontade e o carinho das pessoas que são salutarmente insanas e que fazem brilhar os olhos dos outros com a magia destes dias.
PS. Parece que uma anormal fartura de peixe provocou a abertura de um peixaria, lá prós lados de Rio de Mouro. Ele há cada uma…



