20 setembro 2007

Yellow Suede Shoes

As folhas levantadas pelo vento forte erguiam-se, iluminadas pelas luzes da ambulância, num bailado trágico, no palco da noite.
Num cruzamento da avenida jazia um corpo, cinzento no mimetismo das sombras. Apenas saltava à vista no vulto o único sapato que ainda calçava. A sua cor, de um amarelo gritante comprometia o anonimato da morte.
Eu, ignorando a chuva que caía, não conseguia tirar os olhos daquela visão. Sentia-me preso como um cão, renitente em abandonar o dono que partira. Uma estranha leveza apoderara-se de mim, parecia que pairava.
Foi então que dei conta que me encontrava com um pé descalço. Faltava um dos sapatos amarelos que comprara na véspera.

4 comentários:

Rogério Charraz disse...

Bendita cegueira!

Anónimo disse...

Será que é possível pairar assim ?
Será que existe alguma coisa depois ...?
Será que a luz não se apaga naquele momento e nada mais existe ?

Cabe a cada um de nós acreditar no fim que mais lhe convier ou então pura e simplesmente não conseguir escolher em qual acreditar.

Isabel Correia

Micas disse...

Acredito que seja sempre dificil à alma abandonar o corpo ao pó, em circunstãncias violentas e inesperadas. Gostei.
Tenho andado longe da blogosfera e da minha "Casinha", eu tento mas o tempo não estiiicaaaaa!!! :D))
Beijinhos

Mar e Serra disse...

Jä estive na passagem, duas vezes,na hora hä um lutar com todas as forcas que se tem para ficar

Eu consegui, näo tinah chegado a hora

beijinhos com muitas saudades da minha Sintra