24 março 2008

Crónica de uma pescaria, ou uma das mil maneiras de saborear choco frito




Depois de uma noite com 3 horas dormidas, lá estávamos nós, eu e a Fátima, à porta de casa do Dionísio. Eram 8 da manhã, e mal podíamos esperar de impaciência por avistarmos os verdes campos do Alentejo, mormente a bonita vila de Alcácer do Sal e a barragem do Pego do Altar, cenário onde iria decorrer a nossa pescaria.
Juntaram-se ao grupo a Patrícia, o avô Joaquim e a avó Rosina e lá fomos, estrada abaixo, no meio de um sol radioso de Primavera, que parecia feito de encomenda para nós. Após uma paragem nas bombas para tomar um cafezinho, depressa chegámos ao nosso destino. A calma e a beleza do local logo foi profanada pela nossa presença e pela quantidade de equipamento trazido pelo Dionísio.



Sim porque o rapaz não brinca em serviço. Parecia que a Decathlon se tinha mudado para a barragem de malas e bagagens.
E ali estava tudo o que era preciso para fazer uma boa pescaria. Canas, bóias, chumbo, linhas, iscos, cadeiras, chapéus-de-sol e uma geleira com coisas boas e fresquinhas (sim porque nem só de peixe vive o Homem)

Aqui o avô Joaquim dizia à Fátima que só valia peixe deste tamanho!
Depois de tudo montado, lá começou a pesca, propriamente dita. O Dionísio e o avô Joaquim a sacar à bruta, enquanto eu, pouco versado nesta pesca sem sal, lá fazia os possíveis para os acompanhar. Então foi quando um acontecimento algo patético veio quebrar alguma monotonia instalada. E quem seria o personagem vítima desse acontecimento? – Perguntam vocês – É claro que me tocou a mim. Nem podia ser doutra maneira, e passo a explicar: - Nós estávamos a pescar com linha fina e anzóis pequenos, próprios para o tipo de peixe que pretendíamos apanhar. Pequenos peixes, tipo sardinha chamados abletes. Ora houve uma altura, que já farto de ter a cana na mão, ponho-a no chão, apoiada num ramo, à beira da água e vou ter com o Dionísio que se encontrava ao meu lado, um pouco afastado. De repente oiço o pessoal a gritar: - Eia! olha a cana! Vai-se embora! Olhei para o sítio onde a tinha deixado, e vejo-a abalar, água dentro já a desaparecer em direcção ao fundo. Mal tive tempo para perceber o que se estava a passar e já estava dentro de água, vestido e calçado, preocupado não em apanhar peixe, mas sim em apanhar a cana, arrastada por um carpa matulona que se tinha prendido no anzol. O que me valeu é que depois de deitar a mão à cana a linha partiu-se. E assim inaugurei a minha época balnear!




Entretanto o Dionísio apanhou duas belas carpas, mas perante a súplica dos animais pela liberdade, lá as soltou de novo na água.





A barriga começava a dar sinais. Era hora do almoço.
Diz o Dionísio: - Ó pessoal, olhem aí pelas canas que vou buscar o almoço e já volto. E lá foi, com a avó Rosina á Tasca do Sr. Coelho. Voltou quase duas horas depois (Sabes onde estamos? – teria-lhe perguntado o Sr. Coelho – Vai demorar!)
Mas valeu bem o tempo de espera porque o petisco estava de trás d’orelha.
E foi debaixo desta sombra que retemperámos as forças para a segunda etapa do dia.

Acabado o repasto logo voltámos a pôr a minhoca de molho. Eu não tinha grande fé, mas a tarde viria a revelar-se ainda mais produtiva que a manhã. Parecia que os peixes tinham encostado todos, atraídos pelo cheirinho do choco frito, e o morticínio foi grande… Não havia mãos a medir. Mal caía na água os maganos jogavam-se logo ao anzol. E nós, numa grande trabalhêra de tirar o peixe, pôr o isco mais parecia uma cadeia de montagem.

E foi aí que eu me apercebi do aparecimento de um novo desporto, logo baptizado de “BasketFish” e da enorme falta de jeito que o Dionísio tem ao praticá-lo. Não sei se motivado pela alta cadência de tira-peixe-põe- minhoca que se fazia sentir, o que é certo é que ao tirar o peixe do anzol e mandá-lo para a rede que se encontrava na água, a um metro da cadeira onde se sentava, o nosso amigo Dionísio em cada quatro lançamentos falhava três, para grande alegria e gozo dos peixes que escapavam ao cesto (alguns foram mesmo pescados mais que uma vez, e quando se afastavam água dentro olhavam para trás com carinhas de gozo).


As meninas passearam e conversaram, tendo a Patrícia guiado a Fátima pelas redondezas que já conhecia doutras pescarias







E assim se passou o dia. Pescando, comendo, amigando. Enchendo o peito de ar puro, de sol e tranquilidade em terras de Além Tejo, neste começo de Primavera que se quer renovada, assim como a amizade. No final pesou-se a pescaria e apuraram-se 4 kilos e meio de abletes, fora as duas carpas que soltámos.




Por mim, é para repetir, quem sabe com outros pescadores que se queiram juntar!Obrigado à família Simões por este excelente dia!

8 comentários:

Zé dos Anzóis disse...

A familia Simões é que agradeçe a amizade e o carinho com que nos presentearam, bem Hajam...
E estende novo convite ao que se podem juntar outros amigos, afinal a pesca é apenas uma boa desculpa para estarmos juntos.

Anónimo disse...

Afinal só um dos muitos amigos do Sr. Perdigão conseguiu satisfazer a solicitação que ele nos tinha feito a todos há já muitos dias. Eu vi a felicidade na cara dele depois de pescaria e todos nós nos apercebemos depois de lermos aqui o seu relato do acontecimento como era importante para ele fugir da rotina e junto de uma relaxante albufeira calmamente apreciar a paisagem, o Sol e claro as enguias e os choquinhos fritos. Penso que o mais importante na nossa vida é conseguirmos tornar mais leve e mais feliz a vida das pessoas de quem gostamos.

Bem haja Sr. Zé dos Anzóis.

A CONCORRÊNCIA

Rogério Charraz disse...

Ok, agora já percebi porque é que não pegas na cana quando eu estou presente... é para não te ver a entrar água dentro!!
Olha que dois, um não consegue segurar a cana o outro não acerta no balde a um metro de distência!!!
Agora uma pergunta, o que é que as carpas são mais que as "tabletes"?!?! Pq é que umas voltam para o mar e as outras servem de bola de basquete?! Isso é discriminação!! Abaixo o racismo!! Todos diferentes, todos peixes!

Para terminar, um conselho. Homens, é óbvio que o peixe só pica à tarde, de manhã está a dormir!!! Ou chegam antes das 7h para apanhar os que ainda não se deitaram, ou então é esperar pela hora do almoço...
Na próxima contem comigo, mas encontramo-nos ao meio-dia para almoçar...

MisteriosaLua disse...

O dia parece ter sido du best!, mas esclarece-me uma coisa.. Também tiveram direito aquela mistela do engodo? Misturar minhocas com a farinha xpto, juntar àgua, amassar bem, fazer bolinhas e lançar à àgua?
Se os peixinhos são tolos ao ponto de a irem provar, merecem ser apanhados... lol
Besitos da Lua

Maria Streibhardt disse...

São dias assim de cumplicidades entre amigos que aquecem a alma...
Beijinhos

Zé dos Anzóis disse...

Bem, a minha alma está doidinha de todo, então não é que apareçe caidinha do céu uma criatura, ou melhor, uma MisteriosaLua que sabe fazer, ou mostra saber, engodo e dito daquela forma só falta mesmo é começar a mandar uns "bitaites" qual a melhor farinha para as nossas misturas, por mim é apareçer e meter mãos à massa, ainda por cima detesto ficar com as unhas todas sujas.

MisteriosaLua disse...

Com o propósito de endoidar ainda mais a alma do zé dos anzóis, não posso deixar de mandar o bitaite (não retirando qualquer lucro da publicidade): Não vou cair na asneira de falar do Biscoito, da Geological Fishing, pois esse, por ser viscoso e doce, servirá na perfeição para qualquer base de engodo... O meu bitaite vai mesmo ser o Riviére, também da mesma marca, mas especialmente concebido para a pesca em rios e albufeiras.
Há quem também goste de acrescentar o pão ralado vermelho, ou a linhaça, que se dispersam na àgua... Na minha modesta opinião, engodo é tudo aquilo que se utiliza para atrair os peixes para determinado local, o pesqueiro, com o objectivo de os capturar. Naturalmente, os engodos variam de local para local, levando-se em conta o tipo de peixe existente, a corrente, a profundidade das àguas, a distância de pesca, etc e tal... Mas em caso de desespero, nada como uma latinha de milho doce!!
Com o objectivo de lhe poupar a mariquice das unhas sujas, posso sempre recomendar que quando fizer o pitstop na àrea de serviço, subtraia umas luvinhas da bomba e que as calce antes de preparar a receita...
Besitos da Lua

Rogério Charraz disse...

"Na minha modesta opinião, engodo é tudo aquilo que se utiliza para atrair os peixes para determinado local"

Eu não sei com que engodo estão a pensar atrair este vosso peixe (eu mesmo, de signo), mas aviso desde já que com doces viscosos, pão ralado vermelho e linhaça não se safam!! Muito menos com enguias!!!

Já se tiverem uma amigas giras e desimpedidas...