Ás vezes chego a acreditar que Ele, afinal, até existe e que, magnânimo, me concedeu a capacidade de, aos cinquenta e dois anos, continuar a sonhar como criança.
Senão, vejamos:
Sexta-feira: Concerto de
Fernando Tordo e a Stardust Orquestra no Teatro Municipal de Almada, só possível pela teimosia e generosidade do meu amigo Rogério Charraz,
a voar por cima da estrada.
Ainda sexta-feira: Saída à pressa do Concerto do Fernando Tordo e aterragem na
Taverna dos Trovadores (num autêntico ninho de cucos) para tocar com o Fernando Pereira, com o João Ramos, com o Carlos Bisnaga Lopes, com o José Salgueiro e com o Próprio Rogério Charraz.
Sábado: Cozido à Portuguesa seguido da peça
“As Loucas de Almornos” a história de duas avezinhas ou a maneira mais rápida de despachar Testemunhas.
Ainda no Sábado, depois das castanhas assadas, de novo noitada na Taverna dos Trovadores para um dos melhores momentos passados naquela casa.
Seria um lugar comum dizer que foram dois dias passados entre os melhores amigos do mundo, e que sem eles nada disto teria o mesmo sentido para mim.
Seria um lugar comum dizer que senti a falta daqueles que não puderam estar presentes.
Seria um lugar comum, talvez, dizer que sinto fazer parte do bando que de repente decide ir aos ninhos, ao cardo, apanhar sapos na charneca, roubar fruta na Quinta do Padre, ou simplesmente deitar-se na terra quente de Junho, e em silêncio esperar pelo recomeço do cantar dos grilos…
Sim, seria banal, mas não vou deixar de o dizer:
Obrigado, meus amigos…