28 abril 2008

Beber ou não beber, eis a questão!

O Pranto de Maria Parda

De Gil Vicente em nome de Maria Parda fazendo pranto porque viu as ruas de
Lixboa com tam poucos ramos nas tavernas e o vinho tam caro, e ela nam podia
viver sem ele.


Eu só quero prantear
este mal que a muitos toca
qu’estou já como minhoca
que puseram a secar.
Triste desaventurada
que tam alta está a canada
para mi como as estrelas.
Ó coitadas de goelas
ó goelas da coitada.

Triste desdentada escura
quem me trouxe a tais mazelas?
Ó gengibas e arnelas
deitai babas de secura.
Carpi-vos beiços coitados
que já lá vão meus toucados
e a cinta e a fraldilha.
Ontem bebi a mantilha
que me custou dous cruzados.

Ó rua de sam Gião
assi estás da sorte mesma
como altares de Coresma
e as malvas no Verão.
Quem levou teus trinta ramos
e o meu mana bebamos
isto a cada bocadinho?

…../……

A propósito de um "post" na MisteriosaLua.


3 comentários:

A CONCORRÊNCIA disse...

Luxo, luxo amigo ZMSantos, duas no mesmo dia, se o amigo Charraz sabe, fica cá com um desgosto de não haver internet no reino dos Alentejos e Algarves...temos que lhe esconder este fenómeno fenomenal ....

MisteriosaLua disse...

"...Era o vinho, meu bem, era o vinho..."
Andei eu que tempos a cantarolar isto, mas nunca soube a quem pertencia!
Grata pela info!
Besitos

Rogério Charraz disse...

O Charraz, sempre o Charraz...